quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Projeto Rondon - Entrevista com Kezia Shigueoka



A estudante do 5º ano de Odontologia da UEL Kezia Emy Shigueoka foi a única paranaense a participar de uma missão da Marinha Brasileira, dentro do Projeto Rondon.  Kezia desceu o Rio Amazonas dentro de um navio hospitalar, oferecendo assistência às comunidades ribeirinhas da região. De volta a Londrina após duas semanas de trabalho, Kezia fala sobre suas experiências no norte.



 Pergunta: Fale como foi o seu trabalho nessa missão

Kezia: Foi uma experiência bem diferente do que estamos acostumados a ver aqui na região, as pessoas são bem diferentes, as culturas... Tudo é bem diferente. Parece ser outro país, não parece ser o Brasil que estamos acostumados a ver por aqui. Apesar de vermos essas coisas acontecerem aqui também, lá é bem diferente.




Como foi trabalhar em um navio? Como era sua rotina?

Kezia: A rotina era bem diferente, nós seguíamos a normas do navio. Tudo tinha horário... Café da manhã, almoço, janta... Eles tinham os horários deles então nós acompanhávamos os horários do navio. O navio era bem tranqüilo, como ele era grande e era no rio, não no mar... Até achei que ia enjoar, mas não enjoei.

Você foi à única escolhida do Paraná para participar desse projeto. Como foi essa interação com pessoas de todo o Brasil?

Kezia: É diferente... É bem porque é algo que eu nunca imaginei. Metade dos alunos era do Rio Grande do Sul, tinha gente de Maceió, Fortaleza, São Paulo, Espírito Santo. Gente que você nunca imaginaria que fosse conhecer. Foi bem legal.

E como foi o atendimento a população?

Kezia: Nós descemos pelo rio, chegávamos na comunidade, o navio atracava e a população vinha até o navio, através de uma passarela. E teve uma ou duas vezes que nós fomos até as comunidades. Pegávamos lanchas e íamos até o local.





O que você aprendeu com essa experiência?

Kezia: Você volta outra pessoa, você vê que tudo é diferente daqui. Você reclama de tudo, mas se você for parar para ver você tem de tudo. Você não pode reclamar de nada... Principalmente a gente que tem a chance de estar em uma universidade, você vê aquelas pessoas e vê que é muito diferente.

Sobre a área da odontologia

Kezia: Você vê crianças sem os dentes permanentes. Os pais não possuem condições de cuidar dos dentes, então a melhor opção que os pais acham é tirar os dentes. Aqui as pessoas conseguem tratamento, às vezes demora muito tempo, mas você consegue. Lá... Como é longe de Manaus, ou de qualquer outro lugar que tenha atendimento, o que sobra pra eles é arrancar os dentes.

Você acha que vocês conseguiram passar esse tipo de cuidado básico com a higiene dental para as comunidades?

Kezia: A marinha tinha kits de higiene bucal com escovas, fios dentais e preservativos também. Nós demos oficinas de instrução de higiene bucal e distribuímos kits para eles. Nós esperamos que eles usem.




O que você acha que irá levar dessa experiência para sua carreira profissional e para sua vida?

Eu aprendi a dar mais valor a tudo. A tratar o paciente melhor, independente de sua condição de vida, do seu nível social.  

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