quarta-feira, 11 de maio de 2016

Projeto auxilia estudantes na escolha da profissão

Fonte: Agência UEL de Notícias



A escolha profissional costuma ocorrer num período muito conturbado para os estudantes: a adolescência. Além da preocupação com o vestibular e a futura profissão, os adolescentes se deparam com diversas questões pessoais de autoconhecimento e autoafirmação.

Para auxiliar os estudantes nesse período da vida, o projeto de extensão "Adolescência e a questão da escolha profissional: atendimentos em grupo e individual na Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina", com mais de 20 anos de existência, trabalha com estudantes na escolha de uma profissão e, principalmente, nas angústias vividas nessa etapa.

Coordenado pela professora Rosemarie Elisabeth Schimidt Almeida (Departamento de Psicologia e Psicanálise), o projeto atua com adolescentes do Ensino Médio de Londrina, como Vicente Rijo e Instituto Federal do Paraná (IFPR) e outras 13 escolas. Em 21 anos, foram realizados 180 atendimentos individuais e 500 pessoas foram atendidas nos grupos. O projeto é renovado a cada três anos e o término deste ciclo é em junho de 2018.

Segundo a coordenadora, o projeto desmistifica a ideia de que fazer a escolha da profissão é um teste psicológico. "A orientação é o momento para o adolescente refletir sobre as angústias vividas no período. Ela auxilia nas escolhas e os coloca em contato com as questões que geram angústia", explica. Além disso, o projeto busca atuar na melhoria da qualidade de vida dos adolescentes, através da prevenção de problemas relacionados à escolha da identidade profissional, proporcionando saúde mental.

De acordo com Rosemarie, a adolescência é um período de transição, com mudança do corpo, do relacionamento com adultos e do encontro com sua individualização, por isso gera muitos medos. Fato curioso é que a adolescência é dividida em três fases: a inicial é dos 14 a 16 anos; a média, de 17 e 18; e a final, que prossegue até 25 anos - quando já se acreditava ser a fase adulta.

No Brasil, a adolescência é uma questão psicossociocultural e é considerada terminada quando o jovem tem uma profissão, independência financeira e um relacionamento duradouro ? etapas que demoram para ocorrer, passando até dos 25 anos de idade.

Apesar de ver um crescente aumento pela orientação vocacional nos últimos anos, a professora afirma que é preocupante o número de estudantes que abandonam o Ensino Médio no Brasil, entre 40% e 60%. Segundo ela, "o adolescente está sem perspectiva, porque os pais não a têm. Há um desamparo que ultrapassa as gerações. É preciso olhar mais para os adolescentes que serão os adultos de amanhã. Os adultos precisam passar esperança para eles", afirma.

Orientação vocacional - Rosemarie explica que os atendimentos são em grupo ou individualmente. 
São realizadas entrevistas clínicas, com uso de instrumentos de avaliação do potencial intelectual, habilidades, interesses e traços de personalidade e técnicas de dinâmica de grupo. O objetivo é sensibilizar os estudantes para uma reflexão sobre a escolha profissional como parte do processo de construção da identidade pessoal. "Interessa muito mais o processo do que o curso que o estudante vai escolher - isso é só um resultado de toda a orientação", afirma Rosemarie.

São abordados também pontos que desmistificam os cursos da moda e o status que podem trazer, sendo trabalhada mais a identificação do estudante com alguma área, independente do possível retorno financeiro. Outro ponto é a escolha de cursos do Ensino Técnico, caso o adolescente se identifique mais com profissões dessa área.

A coordenadora do projeto afirma que é comum os estudantes mudarem de escolha profissional, por ainda não estarem maduros para fazer a escolha. Modificar o curso ou desistir da carreira são atitudes muitos comuns, que não devem gerar constrangimento para os estudantes.

Nos atendimentos, atua uma equipe de monitores de quatro ou cinco estudantes de Psicologia da UEL, com supervisão da professora Rosemarie. Ela explica que o processo é muito interessante também para eles, que se colocam em situação de autoconhecimento e analisam a escolha feita, já que muito se encontram na terceira fase da adolescência.

Além do atendimento na Clínica, o projeto realiza eventos para os estudantes. No ano passado, por exemplo, foi realizado um workshop para os estudantes Curso Especial Pré-Vestibular da UEL (CEPV), no qual fizeram uma reflexão com os alunos para gerar autoconhecimento e então aplicar o teste psicológico.


Serviço - Para participar do projeto, os interessados podem se inscrever na Clínica Psicológica da UEL, pelo telefone (43) 3371-4237, ou pessoalmente, de segunda a quarta-feira, das 8 às 21 horas, ou de quinta a sexta-feira, das 8 às 18 horas. 

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